segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A LEITURA E A ESCOLA E A LEITURA NA ESCOLA

A LEITURA E A ESCOLA E A LEITURA NA ESCOLA
Muito se tem estudado sobre a formação de leitores na escola. Ultrapassamos a concepções mais ingênuas, que vigoraram até duas décadas atrás, em que cabia à escola ofertar bons modelos literários e noções gerais sobre literatura para formar leitores. Essa ideia embutia uma concepção de que a formação leitora vinha de casa - “ filho de leitor, leitor é” e que restava muito pouco a fazer. O controle sobre o que se lia era fundamental para o pensamento pedagógico, influenciado, muitas vezes, por concepções religiosas e políticas.
Todo arejamento pedagógico vivenciado nas últimas décadas – movimento este, também de visão de sociedade e de homem- apontou outras perspectivas para a formação de leitor. A escola passa, então a ter papel central nessa formação, ainda que não suficiente. Como diria o brilhante texto de Daniel Penac “ Como um romance” com a palavra o leitor.
Podemos sintetizar, ainda que correndo o risco de simplificar,esses movimentos da seguinte maneira:
1. O foco no leitor e no seu percurso.
2. A formação do leitor na escola passou a ter uma dimensão institucional – papel ocupado pela leitura , as atividades e eventos realizados, a biblioteca escolar ) e um papel áulico (como a leitura e o leitor são tratados em sala de aula).
3. Toda forma de leitura e de leitor valem a pena. Os caminhos na formação do leitor não podem ser únicos. Como colocar livros para conversarem, parece ser um desafio dos professores atuais, preocupados com a formação do leitor.
Outro dia uma professora me relatava que após a leitura do livro “ O crepúsculo” as alunas foram buscar para ler “ O morro dos ventos uivantes”. A intertextualidade e a intratextualidade nunca valeram tanto.
4. Não basta “ofertar” e sim a reflexão sobre os modelos. Este paradigma atual das didáticas parece valer para formação do leitor, portanto as redes entre os leitores mais eficientes com os iniciantes (professor e aluno) são potentes para possibilitar os avanços.


5. Descolarizar o escolarizável e não escolarizar o que é descolarizável. Identificar os movimentos realizados pelos leitores em formação e contribuir, mais do que tornar as iniciativas dos grupos em atividades escolares.
6. Diversificar as estratégias didáticas de discutir os livros lidos, assim como diversificar as formas de leitura dos diferentes leitores. Os livros possibilitam diferentes abordagens, Não há um único caminho que deve ser seguido sempre da mesma forma.
7. Diversificar os motivos das escolhas dos livros em especial nos livros de leitura compartilhada. Com os mais velhos (Fundamental II) temos descoberto a riqueza que é quando as escolhas são de obras que possibilitam o debate moral.
Com certeza essa lista pode ser ampliada por vocês ,leitores e professores leitores para que a máxima de Mário Quintana “ O difícil mesmo é arte do desler” faça cada vez mais sentido para os nossos jovens.
Suzana Mesquita Moreira