segunda-feira, 18 de julho de 2016
texto publicado na Revista Pátio 78 (2016)
A importância do equilíbrio entre compartilhar e personalizar
José Moran
É na síntese dinâmica da aprendizagem personalizada e colaborativa que desenvolvemos todo o nosso potencial como pessoas e como grupos sociais
A aprendizagem constrói-se em um processo equilibrado entre a elaboração coletiva (por meio de múltiplas formas de colaboração em diversos grupos) e a personalizada (em que cada um percorre roteiros diferenciadores). A aprendizagem acontece no movimento fluido, constante e intenso entre a comunicação grupal e pessoal, entre a colaboração com pessoas motivadas e o diálogo consigo mesmo, com todas as instâncias que o compõem e definem, em uma reelaboração permanente.
Em um mundo tão dinâmico, de múltiplas linguagens, telas, grupos e culturas, cada um de nós precisa — junto com todas as interações sociais — encontrar tempo para aprofundar, refletir, reelaborar, produzir e fazer novas sínteses. É na síntese dinâmica da aprendizagem personalizada e colaborativa que desenvolvemos todo o nosso potencial como pessoas e como grupos sociais, ao enriquecer-nos mutuamente com as múltiplas interfaces do diálogo dentro de cada um, alimentando e alimentados pelos diálogos com os diversos grupos dos quais participamos, com a intensa troca de ideias, sentimentos e competências em múltiplos desafios que nos oferece a vida.
As instituições mais inovadoras propõem modelos educacionais mais integrados, sem disciplinas. Organizam o projeto pedagógico a partir de valores, competências amplas, problemas e projetos, equilibrando a aprendizagem individualizada com a colaborativa; redesenhando os espaços físicos e combinando-os aos virtuais com apoio das tecnologias digitais. As atividades podem ser muito mais diversificadas, com metodologias mais ativas, que combinem o melhor do percurso individual e grupal.
As tecnologias móveis e em rede permitem conectar todos os espaços e elaborar políticas diferenciadas de organização de processos de ensino e aprendizagem adaptados a cada situação, ou seja, aos que são mais proativos e aos mais passivos; aos muito rápidos e aos mais lentos; aos que precisam de muita tutoria e acompanhamento e aos que sabem aprender sozinhos.
Conviveremos, nos próximos anos, com modelos ativos não disciplinares e disciplinares com diferentes graus de “misturas”, de flexibilização, de hibridização. Isso exige uma mudança de configuração do currículo, da participação dos professores, da organização das atividades didáticas e da organização dos espaços e do tempo. As metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos. Se desejamos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias nas quais eles se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham de tomar decisões e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes.
Se desejamos que sejam criativos, eles precisam experimentar novas possibilidades de mostrar sua iniciativa. Desafios e atividades podem ser dosados, planejados, acompanhados e avaliados com apoio das tecnologias. Os desafios bem planejados contribuem para mobilizar as competências desejadas, sejam elas intelectuais, emocionais, pessoais e comunicacionais. Tais desafios exigem pesquisar, avaliar situações, analisar diferentes pontos de vista, fazer escolhas, assumir alguns riscos, aprender pela descoberta, transitar do simples para o complexo.
Nas metodologias ativas de aprendizagem, o aprendizado ocorre a partir da antecipação, durante o curso, de problemas e situações reais, os mesmos que os alunos vivenciarão na vida profissional. Podemos oferecer propostas mais personalizadas, para cada estilo predominante de aprendizagem, monitorando-as e avaliando-as em tempo real, o que não era possível na educação mais massiva ou convencional.
Os alunos mais pragmáticos preferirão atividades diferentes daquelas escolhidas pelos colegas mais teóricos ou conceituais, e a ênfase nas atividades também será distinta. É possível planejar atividades variadas para grupos de alunos diferentes, em ritmos distintos e com possibilidade real de acompanhamento pelos professores. Esses recursos mapeiam, monitoram, facilitam e interaprendem com a prática e a experiência (Siemens, 2005).
Hoje, há um grande avanço na análise dos metadados, na geração de relatórios personalizados, no desenvolvimento de plataformas adaptativas e aplicativos que orientam os professores a respeito de como cada aluno aprende, em que estágio se encontra e o que o motiva mais (Gomes, 2013). A escola pode integrar-se aos espaços significativos da cidade e do mundo pelo contato físico e digital: centros produtivos, comerciais e culturais (museus, cinemas, teatros, parques, praças, ateliês), entre outros. Também podem organizar os currículos com atividades profissionais ou sociais, com apoio da comunidade, além de todos os ambientes virtuais disponíveis.
Um dos muitos modelos interessantes para pensar como organizar de modo diferente a “sala de aula” é olhar para algumas escolas inovadoras. Por exemplo, os projetos das escolas Summit (Summit Schools) da Califórnia1 equilibram tempos de atividades individuais com as de grupo, sob a supervisão de dois professores de áreas diferentes (humanas e exatas), que se preocupam com projetos que permitam olhares abrangentes, integradores e interdisciplinares. Acompanham o progresso de cada aluno (toda sexta-feira conversam individualmente com cada um), o qual tem um mentor que o orienta em seu projeto de vida.
Os estudantes fazem avaliações quando se sentem preparados. As competências socioemocionais são bastante enfatizadas, assim como o desenvolvimento de atividades e projetos em organizações fora das escolas. O ambiente físico das salas de aula e da escola como um todo também foi redesenhado por essas instituições mais inovadoras, passando a ser mais centrado no aluno. As salas de aula são multifuncionais, combinando facilmente tanto atividades de grupo e de plenário quanto individuais. Os ambientes estão cada vez mais adaptados para o uso das tecnologias móveis.
Graças a essas tecnologias móveis, os modelos de problemas e projetos são mais híbridos. Uma parte das atividades é realizada no ambiente virtual e outra de modo presencial. Também há maior flexibilidade para reuniões virtuais ou presenciais. O modelo híbrido é muito importante para aqueles que trabalham com problemas e projetos.
Os alunos, por sua vez, estudam os conteúdos em casa ou onde preferirem. São disponibilizados, em uma plataforma on-line, vídeos, textos e um conjunto de atividades às quais eles devem dedicar-se antes de ir à aula. Essas tarefas são de dois tipos: fixação e garantia de compreensão do conteúdo; problematização que estimula a pesquisa e a transposição do conhecimento para problemas reais. Com isso, o tempo em sala de aula é usado para que os temas sejam debatidos de maneira mais aprofundada, incluindo a realização dos projetos do semestre. Na educação formal, alguns projetos pedagógicos atribuem maior ênfase à aprendizagem grupal, enquanto outros valorizam mais a aprendizagem individualizada. Ambos são importantes e precisam ser integrados para dar conta da complexidade de aprender em uma sociedade cada vez mais dinâmica e incerta.
Em um mundo de tantas informações, oportunidades e caminhos, a qualidade da docência manifesta-se na combinação do trabalho em grupo com a personalização, bem como no incentivo à colaboração entre todos e, ao mesmo tempo, a que cada um possa personalizar seu percurso. As tecnologias Web 2.0, que são gratuitas, facilitam a aprendizagem colaborativa entre colegas próximos e distantes. Adquire maior importância a comunicação entre pares, entre iguais, de alunos entre si, que trocam informações, participam de atividades em conjunto, resolvem desafios, realizam projetos e avaliam-se mutuamente. Fora da escola, acontece o mesmo processo: a comunicação entre grupos — nas redes sociais — que compartilham interesses, vivências, pesquisas e aprendizagens.
A educação cada vez mais se horizontaliza, expressando-se em múltiplas interações grupais e personalizadas. A comunicação por meio da colaboração também se complementa com a comunicação um a um, com a personalização pelo diálogo do professor com cada aluno e seu projeto, com a orientação e o acompanhamento do seu ritmo. Podemos oferecer sequências didáticas mais personalizadas, monitorá-las e avaliá-las em tempo real, com o apoio de plataformas adaptativas, o que não era possível na educação mais formal. Com isso, o professor conversa, orienta seus alunos de maneira mais direta, no momento em que precisam e da forma mais conveniente.
Sozinhos, vamos até certo ponto; juntos, também. Essa interconexão entre a aprendizagem pessoal e colaborativa, em um movimento contínuo e ritmado, ajuda-nos a avançar muito além do que conseguiríamos sozinhos ou apenas em grupo. Os projetos pedagógicos inovadores conciliam, na organização curricular, espaços, tempos e projetos que equilibram a comunicação pessoal e colaborativa, presencial e on-line. O papel ativo do professor como designer de caminhos, de atividades individuais e de grupo, é decisivo. O professor torna-se gestor e orientador de caminhos coletivos e individuais, previsíveis e imprevisíveis, em uma construção mais aberta, criativa e empreendedora.
O que a tecnologia traz hoje é integração de todos os espaços e tempos. Os atos de ensinar e aprender acontecem em uma interligação simbiótica, profunda e constante entre o mundo físico e digital. Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla e hibridiza constantemente. Por isso, a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece apenas no espaço físico da sala de aula, mas também nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. O professor precisa seguir comunicando-se face a face com os alunos, mas também deve fazê-lo digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos e com cada um.
O digital facilita e amplia os grupos e comunidades de práticas, de saberes, de coautores. O aluno pode ser produtor de informação, coautor com seus colegas e professores, reelaborando materiais em grupo, contando histórias (storytelling), debatendo ideias em um fórum, divulgando seus resultados em um ambiente de webconferência, blog ou página da web. Essa mescla entre sala de aula e ambientes virtuais é fundamental para abrir a escola para o mundo e trazer o mundo para dentro da instituição. Outra mescla ou blended é aquela entre processos de comunicação mais planejados, organizados e formais e aqueles mais abertos, como os que acontecem nas redes sociais, em que há uma linguagem mais familiar, maior espontaneidade e fluência constante de imagens, ideias e vídeos.
Todas as escolas podem implementar o ensino híbrido, misturado — tanto aquelas que dispõem de uma infraestrutura tecnológica sofisticada quanto as mais carentes. Todos os professores também podem fazer isso!2
NOTAS
1. Leia mais sobre as Summit Schools na Entrevista.
2. Este artigo é uma adaptação do Capítulo 1 do livro Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação (Penso, 2015).
Em um mundo tão dinâmico, de múltiplas linguagens, telas, grupos e culturas, cada um de nós precisa — junto com todas as interações sociais — encontrar tempo para aprofundar, refletir, reelaborar, produzir e fazer novas sínteses. É na síntese dinâmica da aprendizagem personalizada e colaborativa que desenvolvemos todo o nosso potencial como pessoas e como grupos sociais, ao enriquecer-nos mutuamente com as múltiplas interfaces do diálogo dentro de cada um, alimentando e alimentados pelos diálogos com os diversos grupos dos quais participamos, com a intensa troca de ideias, sentimentos e competências em múltiplos desafios que nos oferece a vida.
As instituições mais inovadoras propõem modelos educacionais mais integrados, sem disciplinas. Organizam o projeto pedagógico a partir de valores, competências amplas, problemas e projetos, equilibrando a aprendizagem individualizada com a colaborativa; redesenhando os espaços físicos e combinando-os aos virtuais com apoio das tecnologias digitais. As atividades podem ser muito mais diversificadas, com metodologias mais ativas, que combinem o melhor do percurso individual e grupal.
As tecnologias móveis e em rede permitem conectar todos os espaços e elaborar políticas diferenciadas de organização de processos de ensino e aprendizagem adaptados a cada situação, ou seja, aos que são mais proativos e aos mais passivos; aos muito rápidos e aos mais lentos; aos que precisam de muita tutoria e acompanhamento e aos que sabem aprender sozinhos.
Conviveremos, nos próximos anos, com modelos ativos não disciplinares e disciplinares com diferentes graus de “misturas”, de flexibilização, de hibridização. Isso exige uma mudança de configuração do currículo, da participação dos professores, da organização das atividades didáticas e da organização dos espaços e do tempo. As metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos. Se desejamos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias nas quais eles se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham de tomar decisões e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes.
Se desejamos que sejam criativos, eles precisam experimentar novas possibilidades de mostrar sua iniciativa. Desafios e atividades podem ser dosados, planejados, acompanhados e avaliados com apoio das tecnologias. Os desafios bem planejados contribuem para mobilizar as competências desejadas, sejam elas intelectuais, emocionais, pessoais e comunicacionais. Tais desafios exigem pesquisar, avaliar situações, analisar diferentes pontos de vista, fazer escolhas, assumir alguns riscos, aprender pela descoberta, transitar do simples para o complexo.
Nas metodologias ativas de aprendizagem, o aprendizado ocorre a partir da antecipação, durante o curso, de problemas e situações reais, os mesmos que os alunos vivenciarão na vida profissional. Podemos oferecer propostas mais personalizadas, para cada estilo predominante de aprendizagem, monitorando-as e avaliando-as em tempo real, o que não era possível na educação mais massiva ou convencional.
Os alunos mais pragmáticos preferirão atividades diferentes daquelas escolhidas pelos colegas mais teóricos ou conceituais, e a ênfase nas atividades também será distinta. É possível planejar atividades variadas para grupos de alunos diferentes, em ritmos distintos e com possibilidade real de acompanhamento pelos professores. Esses recursos mapeiam, monitoram, facilitam e interaprendem com a prática e a experiência (Siemens, 2005).
Hoje, há um grande avanço na análise dos metadados, na geração de relatórios personalizados, no desenvolvimento de plataformas adaptativas e aplicativos que orientam os professores a respeito de como cada aluno aprende, em que estágio se encontra e o que o motiva mais (Gomes, 2013). A escola pode integrar-se aos espaços significativos da cidade e do mundo pelo contato físico e digital: centros produtivos, comerciais e culturais (museus, cinemas, teatros, parques, praças, ateliês), entre outros. Também podem organizar os currículos com atividades profissionais ou sociais, com apoio da comunidade, além de todos os ambientes virtuais disponíveis.
Um dos muitos modelos interessantes para pensar como organizar de modo diferente a “sala de aula” é olhar para algumas escolas inovadoras. Por exemplo, os projetos das escolas Summit (Summit Schools) da Califórnia1 equilibram tempos de atividades individuais com as de grupo, sob a supervisão de dois professores de áreas diferentes (humanas e exatas), que se preocupam com projetos que permitam olhares abrangentes, integradores e interdisciplinares. Acompanham o progresso de cada aluno (toda sexta-feira conversam individualmente com cada um), o qual tem um mentor que o orienta em seu projeto de vida.
Os estudantes fazem avaliações quando se sentem preparados. As competências socioemocionais são bastante enfatizadas, assim como o desenvolvimento de atividades e projetos em organizações fora das escolas. O ambiente físico das salas de aula e da escola como um todo também foi redesenhado por essas instituições mais inovadoras, passando a ser mais centrado no aluno. As salas de aula são multifuncionais, combinando facilmente tanto atividades de grupo e de plenário quanto individuais. Os ambientes estão cada vez mais adaptados para o uso das tecnologias móveis.
Graças a essas tecnologias móveis, os modelos de problemas e projetos são mais híbridos. Uma parte das atividades é realizada no ambiente virtual e outra de modo presencial. Também há maior flexibilidade para reuniões virtuais ou presenciais. O modelo híbrido é muito importante para aqueles que trabalham com problemas e projetos.
Os alunos, por sua vez, estudam os conteúdos em casa ou onde preferirem. São disponibilizados, em uma plataforma on-line, vídeos, textos e um conjunto de atividades às quais eles devem dedicar-se antes de ir à aula. Essas tarefas são de dois tipos: fixação e garantia de compreensão do conteúdo; problematização que estimula a pesquisa e a transposição do conhecimento para problemas reais. Com isso, o tempo em sala de aula é usado para que os temas sejam debatidos de maneira mais aprofundada, incluindo a realização dos projetos do semestre. Na educação formal, alguns projetos pedagógicos atribuem maior ênfase à aprendizagem grupal, enquanto outros valorizam mais a aprendizagem individualizada. Ambos são importantes e precisam ser integrados para dar conta da complexidade de aprender em uma sociedade cada vez mais dinâmica e incerta.
Em um mundo de tantas informações, oportunidades e caminhos, a qualidade da docência manifesta-se na combinação do trabalho em grupo com a personalização, bem como no incentivo à colaboração entre todos e, ao mesmo tempo, a que cada um possa personalizar seu percurso. As tecnologias Web 2.0, que são gratuitas, facilitam a aprendizagem colaborativa entre colegas próximos e distantes. Adquire maior importância a comunicação entre pares, entre iguais, de alunos entre si, que trocam informações, participam de atividades em conjunto, resolvem desafios, realizam projetos e avaliam-se mutuamente. Fora da escola, acontece o mesmo processo: a comunicação entre grupos — nas redes sociais — que compartilham interesses, vivências, pesquisas e aprendizagens.
A educação cada vez mais se horizontaliza, expressando-se em múltiplas interações grupais e personalizadas. A comunicação por meio da colaboração também se complementa com a comunicação um a um, com a personalização pelo diálogo do professor com cada aluno e seu projeto, com a orientação e o acompanhamento do seu ritmo. Podemos oferecer sequências didáticas mais personalizadas, monitorá-las e avaliá-las em tempo real, com o apoio de plataformas adaptativas, o que não era possível na educação mais formal. Com isso, o professor conversa, orienta seus alunos de maneira mais direta, no momento em que precisam e da forma mais conveniente.
Sozinhos, vamos até certo ponto; juntos, também. Essa interconexão entre a aprendizagem pessoal e colaborativa, em um movimento contínuo e ritmado, ajuda-nos a avançar muito além do que conseguiríamos sozinhos ou apenas em grupo. Os projetos pedagógicos inovadores conciliam, na organização curricular, espaços, tempos e projetos que equilibram a comunicação pessoal e colaborativa, presencial e on-line. O papel ativo do professor como designer de caminhos, de atividades individuais e de grupo, é decisivo. O professor torna-se gestor e orientador de caminhos coletivos e individuais, previsíveis e imprevisíveis, em uma construção mais aberta, criativa e empreendedora.
O que a tecnologia traz hoje é integração de todos os espaços e tempos. Os atos de ensinar e aprender acontecem em uma interligação simbiótica, profunda e constante entre o mundo físico e digital. Não são dois mundos ou espaços, mas um espaço estendido, uma sala de aula ampliada, que se mescla e hibridiza constantemente. Por isso, a educação formal é cada vez mais blended, misturada, híbrida, porque não acontece apenas no espaço físico da sala de aula, mas também nos múltiplos espaços do cotidiano, que incluem os digitais. O professor precisa seguir comunicando-se face a face com os alunos, mas também deve fazê-lo digitalmente, com as tecnologias móveis, equilibrando a interação com todos e com cada um.
O digital facilita e amplia os grupos e comunidades de práticas, de saberes, de coautores. O aluno pode ser produtor de informação, coautor com seus colegas e professores, reelaborando materiais em grupo, contando histórias (storytelling), debatendo ideias em um fórum, divulgando seus resultados em um ambiente de webconferência, blog ou página da web. Essa mescla entre sala de aula e ambientes virtuais é fundamental para abrir a escola para o mundo e trazer o mundo para dentro da instituição. Outra mescla ou blended é aquela entre processos de comunicação mais planejados, organizados e formais e aqueles mais abertos, como os que acontecem nas redes sociais, em que há uma linguagem mais familiar, maior espontaneidade e fluência constante de imagens, ideias e vídeos.
Todas as escolas podem implementar o ensino híbrido, misturado — tanto aquelas que dispõem de uma infraestrutura tecnológica sofisticada quanto as mais carentes. Todos os professores também podem fazer isso!2
NOTAS
1. Leia mais sobre as Summit Schools na Entrevista.
2. Este artigo é uma adaptação do Capítulo 1 do livro Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação (Penso, 2015).
- José Moran é doutor em Comunicação, professor aposentado de Novas Tecnologias e fundador da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP). Atua no Grupo de Pesquisas em Educação Híbrida do Instituto Singularidades.
Crédito da imagem:
Foto: Joseph Sohm/ShutterStock.com
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