Concepção de trabalho docente
Neste momento em que os educadores progressistas da cidade de São Paulo, vêem suas esperanças renovadas com a eleição de Fernando Haddad para prefeito da cidade, alguns debates são necessários.
Um deles com certeza é a concepção de trabalho docente que se materializa na jornada de trabalho. O trabalho tem sofrido modificações profundas nos últimos 20 anos. Foi um dos alvos do neoliberalismo no tripé: flexibilização, precarização e redução. A educação e, portanto, o trabalho docente, não ficou fora desse movimento. Mecanismos perversos foram e têm sido usados, em especial no estado de SP. Um dos mecanismos da precarização tem sido a visão conservadora de trabalho docente limitada à ação na sala de aula. Quanto mais aulas os professores puderam dar, melhor. “A máquina de dar aulas” como vários autores já mencionaram. O município de São Paulo, há 20 anos, inspirou outros sistemas ao apresentar no Estatuto do Magistério discutido e aprovado na gestão do PT da prefeita Erundina, uma jornada docente que reconhecia que o trabalho docente envolve o tempo de trabalho com os alunos em sala de aula, mas também, o tempo fora de sala de aula com planejamento,discussão como os pares, elaboração de materiais e outros. É esta de ideia de trabalho docente que deve orientar a ação de todos os educadores comprometidos com a educação que tenha como objetivo a justiça social. É possível avançar ainda mais na compreensão do que compõe o trabalho docente, como por exemplo, na relação com pais, no reconhecimento que está embutida a formação na ação docente como integrante do trabalho docente; na produção de conhecimento pedagógico. É preocupante o discurso de que as jornadas precisam ser reduzidas para ter mais empregos, pois esta formulação caminha no sentido na precarização do trabalho docente e enquanto proposição dialoga com o que há de mais conservador no pensamento pedagógico.Precisamos estar atentos também, naquilo que Rodrigues (2002, p. 73), denominou de proletarização técnica como sendo“ – perda do controlo sobre o processo e produto do seu trabalho – e/ou a proletarização ideológica – que significa a expropriação de valores a partir da perda de controle sobre o produto do trabalho e da relação com a comunidade” Os últimos governos municipais e os projeto colocado há duas décadas na rede estadual atuam nessa perspectiva.
Por fim, sabemos que são muitas as demandas cotidianas, e a próxima Secretaria da Educação precisa dar respostas de curto e médio prazo,porém a discussão sobre o trabalho docente e jornada deve, na minha visão, ser estratégica enquanto meio na busca de uma educação de qualidade social.
Suzana Mesquita Moreira
professora, coordenadora pedagógica e formadora de professores.
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