domingo, 25 de maio de 2014

Academic mindset ou um novo olhar sobre postura de estudante

Academic mindset ou um novo olhar sobre  postura de estudante

 Quase todos os projetos pedagógicos de enfoque construvista,preocupa-se com a chamada postura de estudante, entendo que é um novo papel social que o aluno precisa desempenhar ao entrar na escola. Várias ações são desenvolvidas nesse sentido.
Na visita às escolas californianas o que vimos e ouvimos, me fez ter um novo olhar sobre como encaramos e fazemos com a postura de estudante.  Eles adotam um conceito chamado de " academic mindset"que ao  realizar um esforço de conceitualizá-lo, podemos dizer que é capacidade de aprender e envolver-se com a aprendizagem em diferentes situações.

O desenvolvimento desta capacidade é na experiência dos educadores e pesquisadores fruto das situações pedagógicas desenhadas com este objetivo. Para o desenvolvimento desta capacidade alguns elementos são essenciais: pertencimento, capacidade para aprender, esforço e atribuição de valor ao que aprende.
O  pertencimento refere-se à ideia de fazer parte de uma comunidade que aprende, que é reconhecida como tal e o conhecimento dos valores institucionais. Quando vemos, por exemplo, alunos apresentando a escola, sabendo falar dos seu próprios projetos , mas de outros que são desenvolvidos, penso que é uma ação planejada com este objetivo.
O segundo aspecto "capacidade para aprender"está relacionado ao tamanho dos desafios que são apresentados aos alunos. A educadora Telma Weisz já se referia ao "difícil, porém possível".
O esforço, que é um dos outros aspectos, não é visto como um atributo pessoal do sujeito, "o aluno X é muito esforçado,mas sim fruto das situações pedagógicas que são desenhadas para fazer com que os alunos utilizem todos os recursos para aprimorar o trabalho.
E por fim, o valor ao que está aprendendo. Fiquei observando como as situações propostas aos alunos estão bem explicitadas para eles.


Enfim, essas ideias nos convocam a revisitar a nossa prática.



















Alunos ensaiam nos corredores para a audiência pública dos projetos desenvolvidos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

AS INSPIRAÇÕES QUE TRAZEMOS


Os post continuarão para abordar outros aspectos da viagem, como por exemplo, a formação de professores.Mas enquanto arrumamos as malas, vejo que seria bom compartilhar o que trazemos de volta, não como modelos, mas como inspirações como a equipe organizadora coloca a todo instante.


 Das escolas de San Diego com certeza os inúmeros projetos desenvolvidos, a autonomia dos estudantes e o sentimento de pertencimento a uma comunidade que aprende. E claro, o entusiamo de seus professores, as formas de usar os espaços a serviço das aprendizagens.
Da New Technoology High School, a impressionante escola pública de Napa, a clareza das propostas- o investimento na formação de atitudes favoráveis ao estudo, a parceria entre o professores de diferentes áreas e claro, muita tecnologia.


Da Castilleja Scholl, tão diferente das nossas escolas em estrutura e público , a convicção de que a tecnologia é  para meninas e mulheres. E já da Blac Pine Circle S, o método socrático como atividade permanente em todas séries e inspirador para aqueles que trabalham com estratégias didáticas mais dialógicas.
Do gruo de brasileiros dos lugares mais variados e de diferentes posições institucionais , as trocas  sobre o que se  ouvia e via. Da equipe da Escola da Vila, a mesma competência de sempre e a busca pela atualização. As atividades de conversa e o seminário foram ótimas situações de aprendizagem para todos.



terça-feira, 22 de abril de 2014

Uso dos espaços a serviço da aprendizagem

 Um aspecto importante das escolas visitadas que trabalham com o PBL  é o uso dos espaços. Em escolas como a Chula Vista e a HTH , os alunos são divididos em dois  grandes grupos que desenvolvem propostas diferentes (eles denominam esses grupos de times) que trabalham com um determinado grupo. Nessas salas há paredes que podem se abrir transformando numa grande sala para o grupo todo. Ha HTH há uma sala no meio desses espaços onde o aluno tem livre acesso e com materiais que ele precisa.


Em todos os espaços há o que os alunos e professores necessitam para o desenvolvimento das atividades, desde computadores, máquinas xerox, papeis, canetas etc com livre acesso a todos. 
Quando há algum conflito no grupo as salas intermediárias são usadas para reunir o grupo todo.
Os grupos (times) são fixos e trabalham juntos num determinado projeto.

domingo, 20 de abril de 2014

Aprendizagem baseada em projetos

APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS

A ideia de projetos não é nova. Tem pelo menos cem anos, se contarmos a partir das proposições de Dewey do " aprender fazendo". Ela ganha mais ou menos potência em cada momento e incorpora as necessidades de aprendizagem colocadas em cada época e lugar. O PBL (project basead learning" que temos vista nas escolas californianas, incorpora vários aspectos do enfoque construtivista e agrega outros. São eles:

* conteúdos significativos:entendidos como aqueles que têm conexão com o mundo social.
* competências do século XXI - os chamados 4 Cs: criatividade, colaboração, comunicação e pensamento crítico;

* pesquisa rigorosa- entendida como levar em conta a multiplicidade de fontes, o uso de diferentes linguagens, saber validar uma informação,comparar,elaborar perguntas, resolver questões entre outras;
questão norteadora - que tem como função mobilizar os alunos para a aprendizagem;
*necessidade de saber - como consequência das situações mobilizadoras colocadas;
*voz e escolha dos alunos - não na definição doe projetos , mas na elaboração dos produtos ;
* revisão e reflexão - há inúmeros instrumentos construídos para ajudar nesse processo de metacognição;
*audiência pública- todo projeto tem uma apresentação para públicos definidos.Podem ser os pais, os alunos de outras turmas, instituições e organizações.



Para saber mais
No site  bie.org há uma completa documentação (vídeos, exemplos de projetos, planos, planilhas).







                                                                               
fotos:  os murais fora da sala de aula contam sobre os projetos. Os alunos sabem falar sobre cada um deles, ou porque já fizeram, porque participaram de uma audiência pública ou conhecem alguém que fez.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

 UMA GESTÃO PEDAGÓGICA SISTÊMICA VOLTADA PARA A APRENDIZAGEM



A gestão pedagógica das escolas HTH visa garantir que os princípios de aprendizagem por projetos expostos no post anterior possam ser garantidos. Para isso dentro da estrutura pensada há dois cargos: o de diretor e o de professor.
O diretor é quem acompanha o trabalho do professor, observa aula, atende alunos e famílias. Na escolha desse diretor são observadas características de líder que deve ter. Uma frase interessante que ouvimos do diretor da HTH foi que o pai dele era pastor e com ele aprendeu que este líder conduz por trás. Os professores mais experientes são responsáveis pela formação dos iniciantes - são seus monitores.
Nos espaços de aprendizagem há máquinas xerox que são operadas por alunos e professores - não há funcionário para isso. Alunos e professores são responsáveis pela limpeza de seus ambientes de aprendizagem.


prédio de Ensino Médio
 São alunos e professores, também, os responsáveis pelo uso de recursos tecnológicos. Em cada sala há um armário que tem carregadores de notebooks. Alunos pegam , usam e são responsáveis pelo seu carregamento. Não há qualquer forma de controle. O uso está naturalizado.

Um dos armários dos espaços de aprendizagem  com computadores para o acesso de alunos e professores



A gestão pedagógica, é portanto, pensada dentro dos princípios do projeto pedagógico de autonomia e de colaboração.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Viagem Califórnia - As Escolas High Tech High - HTH


As HTH é uma proposta de ensino que começou em 2000 na Califórnia e hoje abrange 12 escolas e um Centro de Formação de professores. Tem quatro pilares que  são colocados essenciais na formação de alunos do século XXI: personalização, conexão com o mundo, interesse comum em aprender e professor como designer do aprendizado.
As escolas organizam seus currículos por projetos, que por suas vez devem contemplar os seguintes aspectos:
* o conteúdo ser significativo
* levar em conta as competências do século XXI
* investigação profunda
* ter questões norteadoras
* necessidade de saber
 * voz e escolhas dos alunos
* revisão e reflexão (dos alunos)
* os produtos serem apresentados em situações de audiência pública
* projeto ser autêntico (no sentido de girarem em torno de problemas reais).

A Chula Vista
 Escola HTH que fica em San Diego quase na divisa com o México. Grande parte da escola é de crianças e jovens hispânicos. A escola está localizada numa região bem árida e distante do centro da cidade.É quase uma escola num deserto. Há o elementary ( escola primária que começa aos 4 anos); a midle (FII que vai até o nosso 8º ano ) e o Ensino Médio (que abrange o 9º ano)



Parque na HTH Chula Vista desenhado pelos alunos  (produto de um projeto de estudo).


sábado, 18 de janeiro de 2014

CLIMA ESCOLAR: QUAL O PAPEL PARA O AVANÇO NAS APRENDIZAGENS ESCOLARES


Dentre os muitos filmes que buscaram tratar de questões ligadas à educação, um chamou a atenção da comunidade de educadores. Trata-se da produção francesa “Entre os muros da escola” de 2008 que despertou vários debates entre os envolvidos com a educação. Uma escola  da periferia de Paris,onde professores tinham baixas expectativas em relação aos alunos, que por sua vez, também, tinham uma autoimagem rebaixada. Alunos que não respeitavam a si, aos colegas, aos professores e à escola. Professores, que por sua vez, faltavam com respeito a alunos , a suas famílias, à instituição e ao colegas de profissão. Ali estavam presentes os ingredientes de um tema que tem despertado interesse de alguns estudiosos: o clima escolar e seu impacto sobre o desempenho dos alunos.
Um dos estudiosos do tema ,Marc Thiébaud, (1) considera que “o clima
é uma variável subjetiva ligada à percepção promovida pelas pessoas de que como são tratadas e seus papéis em relação aos outros”. No estudo  que realizou,faz um levantamento das diferentes pesquisas realizadas que apontam a relação entre o clima escolar e a eficácia da educação: nas escolas onde os clima é melhor, a aprendizagem dos alunos em diferentes áreas do conhecimento , avança mais. Essa variável, em alguns estudos é superior à formação dos professores e aos salários pagos.
Elabora no seu trabalho alguns indicadores para ajudar as escolas a identificarem com está o clima nas instituições. Esses indicadores foram transformados numa ferramenta de análise (2). São eles:
1. Clima escolar
• relacional (grau de  relações humanas, o respeito entre os indivíduos e ambiente de apoio entre as pessoas).
• Clima Educacional (valor dada à educação nas escolas).
• Segurança Climática (percepção da ordem e da tranquilidade do ambiente, sentimentos de segurança e percepção do risco de vitimização).
• Clima de justiça (o reconhecimento da legitimidade e equidade das regras e da sua aplicação).
• adesão  às climáticas (ênfase na escola como um lugar para viver  e adesão aos valores explicitados do projeto político-pedagógico).

2. Problemas escolares
• Frequência de violência
• comportamento de indisciplina
• Uso de drogas
• Tipos de questões prioritárias a serem abordadas

3. Práticas educativas
• sistema de enquadramento (regras e procedimentos que regem a ordem e a disciplina;
• sistema de Reconhecimento de participação dos alunos na vida escola;

4. Qualidade do ensino
• tempo dedicado ao ensino;
• gerenciamento de as atitudes favoráveis ao estudo;
• pais (escola colaboração - família)
• Gestão de Liderança Educacional (estilo de gestão, apoio à gestão)

          O seu estudo indica, também,melhores resultados nas escolas onde as relações são mais democráticas; onde se constrói expectativas positivas dos alunos e dos professores; onde há práticas que colocam os alunos mais protagonistas do seu percurso e onde a direção é inspiradora das equipes.O trabalho de Thiébaud e colaboradores  coloca para nós educadores um duplo desafio: diagnosticar o clima nas nossas instituições e a partir desta análise estabelecer planos de ação que superem as constatações. Com certeza não são tarefas fáceis, porém necessárias para assegurar o direito de todos aprenderem.

Suzana Mesquita Moreira

Janeiro de 2014