quarta-feira, 27 de janeiro de 2016


Acolher, conhecer e avaliar

Na década de 90, um filme propiciou vários debates entre os educadores: Ser e Ter (*). Nas várias cenas que se sucedem, uma com certeza marca a obra: o tempo utilizado pelo professor-protagonista para ouvir seus alunos. É uma escuta que busca conhecer para intervir.  Muitas vezes essa competência-habilidade que deveria acompanhar todo docente, é atropelada por outras tarefas. Observa-se , novamente nas orientações dadas aos professores no início de ano, uma carga grande nos diagnósticos -e não se trata aqui de desmerecê-los, mas será que para conhecer um aluno, não é necessário ir além disso? Christian Dunker(2) na obra que fez sucesso em 2015 "Mal-estar, sofrimento e sintoma"dedica-se logo no primeiro capítulo a discutir como a nossa sociedade tornou-se a sociedade dos diagnósticos em vários campos. É preciso, numa visão de escola, que contribua para que os alunos possam construir projetos de vida, que leve em conta não só conhecimentos ,mas sim uma visão mais ampla de desenvolvimento, tempo para receber nossas crianças e adolescentes nessa volta escola com um verdadeiro roteiro de atividades que nos ajude a recolher diferentes informações sobre aquele (s) que estarão conosco numa jornada. Conhecer pressupõe tempo para ouvir ou ler suas narrativas, o que nos conta sobre a sua história de vida e escolar? 

"Ver a aprendizagem como algo ligado à história de vida é entender que ela está situada em um contexto, e que também tem história - tanto em termos de histórias de vida dos indivíduos e histórias e trajetórias das instituições que oferecem oportunidades formais de aprendizagem como de histórias de comunidades e situações em que a aprendizagem informal se desenvolve "(3).
Trazer essas narrativas como momentos pensados  para conhecer o aluno e o grupo, para identificar seus interesses, seus aspectos mais desenvolvidos e aqueles que merecem atenção, pode ser feito de diferentes maneiras, como por exemplo, por uma seleção de imagens e fotos que os alunos trazem. Para além, de atividades específicas que devem fazer parte do roteiro (desde que os objetivos estejam bem claros para os alunos), poder pensar em atividades em que um "sujeito ou grupos de sujeitos"possam contar suas histórias, é algo importante a se garantir nesse começo do ano. Que tal começar com você, professor fazer esse exercício com você mesmo?

(1) filme "SER e TER""
(2) Mal-estar, sofrimento e sintoma. C.I. Dunker.Boitempo Editora. 2015.
(3) Goodson,I - Currículo, narrativa e futuro social. Revista Brasileira de Educação , n 35 maio/agosto 2007.

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