domingo, 17 de janeiro de 2016


Começo do ano: acolhida, adaptação, combinados  - Onde fica o aluno?

Tão logo se aproxima o início do ano letivo, aparecem nos materiais especializados e nas orientações pedagógicas,  uma série de prescrições sobre como receber os alunos. A tradição escolar também se incumbe dessa tarefa.
Lendo as diferentes publicações e refletindo sobre as práticas cotidianas das escolas, um questionamento não pode ser deixado de ser feito: onde fica o aluno em tudo isso? Onde está presente a sua voz?
Uma das discussões que as novas contribuições do campo pedagógico tem trazido é a necessidade de se construir nos projetos educativos um papel mais protagonista para os alunos (e para os docentes também).  No início do século XX, Korczak (1919/1984, p. 95)  ja dizia: 

E a nossa abordagem da infância, não seria reveladora do egocentrismo do adulto? Educados na escravatura, incapazes de transformar a vida, como poderÌamos dar liberdade aos nossos filhos? DeverÌamos, em primeiro lugar, libertar-nos das nossas próprias amarras.

É no início do século XXI (2) que os termos protagonismo e participação discente ganham mais folêgo e passam a ser alvo de elaborações teórico-práticas.  Hoje é muito mais comum encontrarmos essa intenção  nos projetos políticos pedagógicos  das escolas. Mas, quais são ações para que das intenções possa-se  passar para o exercício? Esses momentos de acolhida com certeza podem ser pensados nessa perspectiva.

Maria Teresa Estrela (1)  em "Os primeiros dias de aula"observa que o estabelecimento de normas /pricnípios de convivência escolar são podem ser  realizadas de forma enunciativa, impositiva ou propostiva. Essas atitudes que acompanham esses momentos, é na visão da autora, extremamente importante para o estabelecimento do código das relações que serão estabelecidas.


 O caráter enunciativo acompanha aquelas práticas (centradas na burocracia escolar) de apresentação de um conjunto de regras (muitas vezes marcadas muito mais pelo que o que não fazer do que fazer ou de construções tão genéricas que não servem de norte para as ações). Nessa perspectiva é que a mera apresentação é condição suficiente para a sua interiorização. Parente dessa é a perspectiva impositiva que trata  a apresentação com uma única via (professor e escola) em que se desconsidera que que possa haver outras vozes - a do aluno. Digamos que essas duas perspectivas estão para o universo escolar como as tábuas da lei do Antigo Testamento. Já na perspectiva propositva considera que há outro lado - o aluno e o mobiliza  para participar, tematizando o que é necessário garantir,mais como princípios de convivência do que listas exaustivas que pretendem regular todo o comportamento escolar - que convenhamos, não é nem desejável, tão menos possível.  Não são escolhas conscientes, mas traduzem as crenças  (as mais difícies de serem alteradas na formação dos docentes) ou no projeto educativo das instituições.

Construindo outra prática
Para se construir outra prática - mais coerente com as necessidades de alunos e professores- é necessário que o projeto de formação proponha um duplo movimento. Com os docentes (nas chamada Semana Pedagógica) a sua voz possa ser escutada nas discussões sobre princípios de convivência - numa perspectiva, mais propositva do que impositiva. Ao mesmo tempo colocar os professores para refletirem sobre esse momento com os alunos - o que tem sido feito, como tem sido feito e o porquê tem sido feito.



Indicações 
Estrela, M T  _Relação Pedagógica : disciplina e indisciplina em aula. ED Porto - capítulo Os primeiros dias de aula.

Protagonismo infantil: co-construindo significados em meio ‡s pr·ticas sociais Sergio Fernandes Senna Pires Angela Uchoa Branco Universidade de BrasÌlia, BrasÌlia-DF, Brasil
http://escolastransformadoras.com.br/wp-content/uploads/2015/09/PIRES-e-BRANCO.-Protagonismo-Infantil1.pdf


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