quarta-feira, 13 de julho de 2011

Coordenação Pedagógica: novos desafios

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA: DESAFIOS DAS NOVAS FUNÇÕES E AÇÕES”

                                                                                        

Suzana Mesquita Moreira


       Este texto abordará a questão proposta para apresentação a partir de três premissas:

a.)A educação coloca sempre desafios
b).O  trabalho docente tem sua complexidade
c) A perspectiva de trabalho docente do coordenador pedagógico frente os desafios e a complexidade da educação.

  1. A educação coloca desafios

Desde o seu  surgimento e guardando as devidas proporções colocadas pelos momentos históricos, a educação tem colocado desafios a todos os educadores. No estágio atual do desenvolvimento das sociedades, em especial da brasileira, um dos grandes desafios colocados é contribuir para a diminuição das desigualdades.  Nesse sentido os espaços da escola e o discurso pedagógico têm sido permeados por questões como: trabalho com a diversidade; inclusão; formação para cidadania, entre outros.
       Como estar preparado para esses desafios? A formação inicial ( estudos de graduação) não consegue preparar os professores para atuar em contextos tão diversos. Mais do que nunca se faz necessário, um espaço de formação que leve em consideração o local de trabalho, espaço único de emergência desses desafios. É nesse sentido que nos últimos tempos tem se ressaltado o papel do coordenador pedagógico como formador de professores.

  1. O trabalho docente tem sua complexidade

O trabalho docente vai ao longo da história se constituindo enquanto profissão[1] com necessidades próprias. Os saberes necessários ao ato docente não são os mesmos que há um século. Se no passado, esperava-se do candidato a professor alguns requisitos gerais como”ser paciente”, por exemplo, na contemporaneidade alguns rudimentos dos diferentes saberes envolvidos não dão conta mais.
Alguns autores[2] têm proposto  a seguinte tipologia de saberes necessários ao trabalho docente:


1. Os saberes teóricos, da ordem do declarativo, entre o quais:
  •  os saberes a serem ensinados : o que compreende o domínio da (s) disciplina (s) ;
  •  os saberes para ensinar:incluindo os pedagógicos sobre a gestão da sala de aula, os didáticos referentes às diferentes disciplinas.
  1. .Os saberes práticos:vindos das experiências cotidianas da profissão. Podem ser:
  • saberes sobre a prática , isto é, saberes procedimentais sobre “como fazer”ou formalizados;
  • os saberes da prática: aqueles oriundos da prática, produto da ação de êxito, da práxis- que são saberes muitas vezes implícitos.




c) A perspectiva de trabalho docente do coordenador pedagógico frente os desafios e a complexidade da educação.

       Adotamos aqui a perspectiva de que os docentes realizam um trabalho muito particular: o trabalho docente, que por sua natureza é imaterial[3] que não cabe aqui aprofundar o conceito,mas que não significa, importar as lógicas do trabalho industrial e da racionalidade técnica para o âmbito das profissões docentes.
       Compreender que é um trabalho e que, portanto, tem na escola seu local de organização, implica ser essa o espaço de reflexão do trabalho docente. É nessa perspectiva que se insere uma das ações centrais do coordenador pedagógico: o responsável pela formação dos professores. Ação essa que no dizer de Nóvoa: “precisa superar a racionalidade técnica ,ou seja, é preciso partir  da análise das práticas dos professores quando enfrentam problemas complexos da vida escolar, para compreensão do modo como utilizam o conhecimento científico , como resolvem situações incertas e desconhecidas, como elaboram e modificam rotinas, como experimentam hipóteses de trabalho, como utilizam técnicas e instrumentos conhecidos e como recriam estratégias e inventam procedimentos e recursos”.
      

O trabalho do Coordenador pedagógico e suas rotinas

       Como toda profissão, o trabalho do coordenador pedagógico tem rotinas, que muitas vezes são carregadas de atividades muito distante do colocado acima.  Devido às condições de trabalho,  número grande de professores e tamanho das unidades escolares, levar os coordenadores pedagógicos,  a se distanciarem das atividades fins de sua profissão. É muito freqüente  os profissionais ficarem presos às atividades mais gerenciais do cotidiano do que aquelas formativas.  Não se trata aqui, se dar respostas a essas questões, pois uma vez convencidos desse trabalho estratégico de formador de professores é necessário buscar em cada unidade escolar formas de equalizar as demandas de gerenciamentos com as demandas formativas.

Alguns princípios da ação formativa:

a)       homologia dos processos
As ações formativas devem se pautar pelas mesmas ações e atitudes que se espera que os professores desenvolvam com os alunos. Se por exemplo, há uma crença no papel das interações no processo de aprendizagem, essas situações de interação deverão  fazer parte das ações formativas. Nesse sentido as trocas e os pares e o investimento no grupo como um espaço de formação é de suma importante.
b)       Construir estratégias e instrumentos de acompanhamento do trabalho
Assim como na ação com os alunos é importante evidenciar necessidade coletivas e as necessidades individuais, na formação docente é preciso também definir metas em relação às necessidades coletivas e metas de desenvolvimento individual para cada professor. Ter acordado com o grupo instrumentos como: observação do caderno do aluno; suas produções; registros de aulas e planejamento passam a ter papel importante, não do ponto de vista da burocracia escolar, que já é muita, mas na perspectiva da formação.

c)       construir a necessidade de registros reflexivos sobre a prática
Os professores quando estão atuando têm uma ação que naquele momento é fruto dos saberes descritos acima. Poder refletir sobre eles,num momento posterior  contribui numa importante ferramenta para a modificação de sua ação- reflexão sobre ação. Para isso ter um projeto de formação que incentive a elaboração de registros reflexivos que contribuam com a produção de conhecimento pedagógico na escola.

d)       investir na formação de uma comunidade que envolvida com o conhecimento
Muitas vezes devido às condições precárias de trabalho vai se estabelecendo uma “cultura”das impossibilidades e a escola deixa de ser o espaço de ser centro de aprendizagem para todos. Só é possível envolver os alunos numa “cultura da aprendizagem”se esta tiver  sentido para seus docentes. Temos proposto algumas ações internas tais como: Seminários internos  ou Jornadas Pedagógicas de comunicação das experiências pedagógicas; publicação de materiais produzidos pelos professores, entre outros.

Por fim, entendemos que apesar das dificuldades é um caminho possível. E como diria Borges:

não espere que o rigor do teu caminho
que obstinadamente se bifurca em outro,
que obstinadamente se bifurca em outro
tenha fim “

Bibliografia

_ O Coordenador Pedagógico e a educação continuada. (vários autores). Ed. Loyola.
_O trabalho docente . Maurice Tardif & Claude Lessard. Editora Vozes.
_Formando professores profissionais . Philippe Perrenoud & colaboradores. Artmed
_ Educando o profissional reflexivo . Donald A. Schön . Artmed.




[1]  Schön, Donal A.
[2] Perrenoud,P& colaboradores
[3] Tardif, M & Lessard, C

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